segunda-feira, 17 de abril de 2017

Um grave problema avança no Semiárido alagoano

Leandro Rodrigo mostra a expansão da desertificação


O Estudo sobre desertificação desenvolvido através de dados de precipitação e vegetação no Semiárido brasileiro mostra que no Semiárido alagoano da área total de 12.579,3km² existem extensas áreas em estágio de degradação ou desertificação, sendo 15,9% está em estágio moderado de desertificação, 10,27% em estágio forte de desertificação e 6,65% em estágio muito forte. Para identificar os níveis de degradação captado nas imagens de satélite a cor vermelha indica muito forte, o amarelo forte e o azul em estágio moderado. A pesquisa vem sendo desenvolvida desde 2007 por pesquisadores do Laboratório de Análise de Processamento de Imagens de Satélite (LAPIS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
O avanço da desertificação ocasionado por ações naturais e as que são derivadas da pressão exercida pelas atividades humanas no ecossistema, afeta a agricultura familiar. Segundo o coordenador da Pesquisa professor Humberto Barbosa, “Os impactos da desertificação, sobretudo na agricultura familiar é a migração (abandono das terras) por parte das famílias devido à infertilidade do solo”.
A pesquisa desenvolvida no LAPIS em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido (Insa) tem o objetivo de verificar o potencial máximo de vegetação para identificar ou quantificar as áreas degradadas no Semiárido Brasileiro. “Estamos fazendo uma analise por Estado e constatamos uma situação crítica em Alagoas. Agora o que desejamos é identificar dentro dessas áreas onde está a produção da agricultura familiar”, disse Leandro Rodrigo Macedo da Silva, pesquisador do LAPIS.

Para o melhor desenvolvimento da pesquisa sobre desertificação os pesquisadores estão construindo um Sistema de Monitoramento e Alerta para Cobertura Vegetal da Caatinga (Sima Caatinga). Esse sistema visa disponibilizar informações referentes à condição da vegetação e da precipitação no Semiárido brasileiro. “Nos registros constatamos que a cobertura vegetal do Semiárido alagoano está na situação de muito seca, próximo do zero por cento de cobertura vegetal e com ausência de uma vegetação sadia ou seca (solo exposto), isso é um reflexo de déficit hídrico na região”, disse Leandro Rodrigo Macedo da Silva.


Causas da degradação no Semiárido alagoano
O Semiárido alagoano é constituído por 38 municípios com uma extensão territorial de 45,28%, e o processo de desertificação cresce na região. O fator clima contribui para o aumento da desertificação, porém a retirada da caatinga no Semiárido alagoano, o uso incorreto do solo com práticas de degradação, o excesso de pastoreio (gado, caprinos) o uso de agrotóxico, a retirada da mata ciliar e a poluição das águas, essas ações antrópicas, ocorridas ao longo dos anos, tem fortalecido o crescimento do da desertificação, ou seja, para a degradação da terra, de um solo fraco e improdutivo.
Apesar da desertificação ser um problema muito grave, não existe no Estado uma Política de Combate a Desertificação.  O Plano Estadual de Combate a Desertificação (PAE) não é executado e o Estado não criou a Lei que institui a Política Estadual de Combate a Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca.  Assim, a desertificação fica no anonimato, porém ela vai ganhando espaço com o enfraquecimento do solo.
Dia Mundial de Combate a Desertificação
Não se combate a desertificação com ações pontuais, por exemplo, no próximo dia 17 de junho, dia mundial de combate à desertificação a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos realizará palestra em alguma cidade do Semiárido, mas precisamos de muito mais. Precisamos de um comprometimento dos políticos e da sociedade para conservação dos recursos naturais. Precisamos de ações contínuas com Programas de recuperação de áreas degradadas, reflorestamento, educação ambiental contextualizada, tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, implantação de sistemas agroflorestais, incentivo a agroecologia, conservação das sementes crioulas, entre outras medidas para mitigação do problema devastador. Precisamos que o tema desertificação seja pautado e executado como um dos primeiros itens na agenda dos governos, principalmente no estado de Alagoas.
Elessandra Araújo


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